Antropologia Médica


Para entender a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficência

O fundamento de toda política pública para saúde para Pessoas com doenças raras e pessoas com deficiência devem se balizar na antropologia médica. Para tanto, deve-se estudar, fundamentalmente, tratados internacionais, de genômica e genética e os livros de Cecil Helman, que iniciarão os que desejam conhecer os valores que devem guiar os fundamentos desta prática.

Para facilitar este caminho, a Editora Artmed disponibilizou o primeiro capítulo do livro de Helman,  Culture, Health and Illness, traduzido:

Introdução: a abrangência da antropologia médica

http://downloads.artmed.com.br/public/H/HELMAN_Cecil_G/Cultura_Saude_Doenca_5Ed/Liberado/Cap_01.pdf

É imperdível, maravilhoso, fenomenal. Leiam. Parem tudo e leiam.

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Antropologia Médica – Fundamento da Convenção


Mais uma Homenagem a Cecil Helman

Um dos autores que deve ser profundamento estudado para se conhecer bem a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência é Cecil Helman. Sem dúvida, o maior vulto da Antropologia médica, seu pioneiro, e um dos maiores nomes da medicina geral e familiar, Cecil Helman nasceu na África do Sul em 1944 e frequentou o curso de medicina na University of Cape Town Medical School. Saiu da África do Sul devido ao apartheid e estudou antropologia médica no University College London.
Mostrou-se sempre interessado pelo bem-estar das pessoas e das comunidades e empenhado em perceber os seres humanos e as suas culturas. Como médico, professor e escritor, procurou sempre transmitir uma atitude de tolerância e compreensão pelas diferenças antropológicas entre os grupos étnicos e as culturas, preparando os médicos para melhor entenderem e interagirem com os seus doentes. Como escreveu Francisco Jorge Arsego Quadros de Oliveira, a Antropologia Médica e a Medicina de Família e Comunidade brasileiras perderam uma referência importante com o falecimento precoce de Cecil Helman, (aos 65 anos de idade, por uma doença rara, ELA – nota de Adriana Dias).

Helman era um apaixonado pelo Brasil e exerceu grande influência na Antropologia Médica brasileira, especialmente a partir do seu principal livro “Cultura, Saúde e Doença”, publicado em 1984 – a primeira edição brasileira foi publicada dez anos após. Com certeza, essa é a sua obra mais conhecida, com traduções em várias línguas e que chegou à sua 5ª edição brasileira em 2009. É nesse livro que o autor esmiúça a relação dos aspectos culturais com o processo saúde-doença, conceito fundamental para uma prática em saúde que se pretenda efetiva e culturalmente sensível.

Helman esteve várias vezes no Brasil, país que admirava pela diversidade cultural e pelo rico trabalho desenvolvido pelos Médicos de Família e Comunidade junto à população. Participou de diversos eventos da nossa especialidade e desenvolveu projetos de pesquisa, tendo feito inúmeros amigos. Extremamente cordial e com uma voz mansa, sempre se mostrava curioso em ouvir a exuberância de aspectos culturais trazidos pelo público nas suas palestras.

O seu último livro, The Suburban Shaman (publicado em 2004 e sem tradução para o português) é um fantástico relato semibiográfico de casos atendidos por ele durante a sua trajetória profissional. Coerentemente com a ideia defendida por Helman, de que a “arte médica é uma arte literária”, o livro reúne ótimos exemplos da essência da prática do médico de família, ou seja, conseguir estabelecer uma comunicação adequada com o paciente, simplesmente conseguir ouvi-lo em sua plenitude.

A sua obra evidencia, de modo contundente, que a compreensão da “narrativa” de cada ser humano sob os nossos cuidados é o que torna possível colocar-se na posição do paciente e entender a sua história, a sua cultura, os seus “personagens”, o contexto em que estamos inseridos e o quanto esse conjunto é importante nas questões relacionadas à saúde e à doença.

 

Adriana Dias conheceu-o pessoalmente no Brasil, esteve com ele em duas de suas passagens pela terra que ele tanto amava. Esse contato foi fruto de uma imensa admiração, anterior a sua apresentação ao professor judeu e sul africano.

O primeiro capítulo do livro Cultura, Saúde e Doença pode ser lido direto do site da editora aqui: http://downloads.artmed.com.br/public/H/HELMAN_Cecil_G/Cultura_Saude_Doenca_5Ed/Liberado/Cap_01.pdf